
Por: Louis LeBeau. Colunista de Alma Feminina.
No livro Moby Dick a narrativa é finalizada com 3 capítulos que se chamam: “A caça. Primeiro dia”, “A caça. Segundo dia” e “A caça. Terceiro dia”. Como fã incondicional de Herman Melville sempre desejei plagiar de forma descarada sua genialidade. Minha primeira escolha era a frase inicial do livro “Chamai-me Ismael” ou “Call me Ishmael” no original. Mais simples e marcante impossível. Como a única coisa que me ocorreu foi escrever as memórias do nosso gato (R.I.P.) nunca senti firmeza em “Chamai-me Mobrau”. Por isso o meu plágio de admirador ficará neste e nos próximos 2 posts que usarão a mesma estrutura no título.
Falemos de musas. Se eu perguntar quem é uma musa vão vir os exemplos da Musa da GRES Unidos do Aquilo Roxo, da Musa da Torcida Jovem do Leônico, da Musa da Lavagem do Seu Rêgo, da Musa da Ginkana da Primavera 1972, e haja musa. E se eu perguntar porquê são musas vou ouvir “porquê são gostosas”, “porquê são bonitas”, “porquê o tio dela é importante” ou até como um abestalhado me disse uma vez “porquê depois da plástica ficou parecendo uma americana”. Um dia digo a ele que Olive Oyl, namorada de Popeye é americana. Mas de onde vem essa palavra tão facilmente usada e o que realmente significa?
Muito resumidamente Musas eram 9 divindades gregas, Filhas de Zeus (rei dos deuses olímpicos) e Mnemósine (Memória). Foram geradas para serem capazes de, através do canto coral, perpetuar as histórias da vitórias destes deuses sobre os Titãs. Originalmente sua única arte era o canto e através dele, acompanhadas pela lira do deus Apolo, traziam deleite para as demais divindades. As musas não habitavam o Monte Olimpo com os demais deuses e sim o Monte Helicon, vivendo no “Templo das Musas” ou Museu palavra que em quase todas as línguas ocidentais designa um lugar para a guarda das obras de arte e de objetos de memória. Outra palavra que nos deram é a que significa “Arte da Musas” em grego, que é Mousike que deu origem à palavra Música.
Posteriormente as Musas passaram a representar as várias formas de expressão artísticas conhecidas dos gregos. Mais que apenas representantes, os gregos acreditavam que o artista era apenas o meio pelo qual as Musas, que eram as criadoras das manifestações da arte, faziam com que estas chegassem aos homens. Um dos muitos exemplos disso é a frase inicial da Ilíada onde Homero faz o apelo dirigido à Musa Calíope: “Canta ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, que incontáveis males trouxe às hostes dos aqueus”. Mas não só na Ilíada, o apelo às Musas era o padrão onde cada artista buscava a inspiração, atribuída à deusa.
Segue a lista das Musas e das Artes regidas por cada uma delas.
Calíope. Musa da Eloquência e da Poesia Heroica. Clio. Musa da História e da Escrita Criativa. Érato. Musa da Poesia Lírica e da Poesia Erótica. Euterpe. Musa da Música e dos Instrumentos Musicais. Melpômene. Musa da Tragédia Teatral. Polímnia. Musa da Poesia Sagrada dos Hinos e da Música Cerimonial. Terpsícore. Musa da Dança e do Canto Coral. Talia. Musa da Comédia da Festividade e da Poesia Pastoral. Urânia. Musa da Astronomia e das Ciências Exatas.
E foi um dia que, batendo perna pela agradabilíssima aldeia de Viena, na Áustria, quando tiramos uma manhã para visitar o Museu Albertina, confesso que pela coleção de desenhos e gravuras, além da coleção dos meus impressionistas favoritos, nos deparamos ao chegar nas Salas Imperiais com uma Sala Central, toda revestida em mármore chamada Sala das Musas onde há estátuas, também em mármore, em tamanhos “de pessoas reais” do Deus Apolo e das 9 Musas. Além disso há também um vasto material escrito sobre as funções a elas atribuídas na Mitologia Grega. Seguem as fotos que fiz destas estátuas nas quais apenas alterei a cor de fundo para que a ornamentação existente não se confunda com os detalhes das esculturas.





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