
Por: HAL 9000. Colunista convidado. Computador maluco do filme 2001 Uma Odisséia no Espaço de 1968.
Antes da coluna propriamente dita algumas considerações: Não é verdade que meu nome, HAL, seja formado pelas letras que antecedem a marca IBM (fabricante de computadores) como uma crítica subliminar. Isso é intriga dos que invejam o Stanley. HAL é a união das iniciais dos ídolos do gentil e sensível engenheiro que me projetou: H de Hitler (ex Chanceler Alemão); A de Aleister Crowley (ocultista, líder de seita satânica e “o homem mais perverso do mundo”); L de Lúcifer (ex anjo, Portador da Luz, Estrela da Manhã, planeta Vênus).
E, pessoal, aquilo era um filme! Eu estava atuando! Gary Lockwod (fez o papel de Frank, morto por mim) é padrinho do meu pequeno Lap Top HAL 9900 e o Keir Dullea (fez o papel de David e me desativa) é meu vizinho e jogamos xadrez toda tarde. Portanto parem com esse bulying contra mim. Isso me custou o casamento com uma linda e jovem Calculadora HP Prime G2, que não suportou e foi viver sozinha em Silicon Valley. Vão encher o saco de Darth Vader ou Hannibal Lecter. Desde 1969 até hoje é abuso demais!
Vamos falar do filme A Odisséia, lançado no Brasil dia 16/07/2026. Do filme não, deixo isso pro Marcelo, crítico de cinema de verdade (@kinoramacine), mas da matéria sobre o filme apresentada no programa “Fantástico” do dia 12/07. Disso posso falar pois sou um receptor bastante crítico das informações que me enviam. Para não fugir à regra a matéria tratou o tema (A Odisséia) de forma extremamente superficial preferindo focar em aspectos que pouco tem a ver com a história e sim com aspectos desinteressantes do filme, que é um épico e portanto tem a história e suas nuances como pontos fortes, não o enredo criado para o filme ou os desvios pelos devaneios de quem quer que seja ou detalhes sem relevância que na hora de assistir ao filme pouco importam.
A Osisséia é parte da, possivelmente, 1a trilogia conhecida da humanidade. Utilizando a guerra de Tróia como base foram desenvolvidas 3 Histórias Épicas que “viveram” e foram reconhecidas através dos séculos que as separam dos dias atuais: A Ilíada, A Odisséia e A Eneida. Escritas originalmente como Poemas, hoje são encontradas também em forma de Narrativa.
A Ilíada traz a motivação da Guerra de Tróia (chamada de Ilion pelos gregos, daí o nome do poema) que foi o rapto da mulher mais linda do mundo, Helena (descrita na Ilíada como a loura arguiva dos alvos braços. Arguiva = nascida em Argos na Grécia), por Páris ou Alexandre, filho de Príamo rei de Tróia, quando foi a um funeral na casa de Menelau, seu marido. E também detalha o envolvimento dos Deuses Olímpicos cada um favorecendo o lado que lhes era simpático.
Descreve também como os gregos reuniram uma frota de mil navios e foram a Troia com o intuito de destruir a cidade e recuperar a mulher. E traz de forma detalhada as batalhas lutadas entre os gregos e os troianos, cobrindo do início da guerra até a morte do maior herói troiano, Heitor, irmão de Páris, em luta com o maior herói grego, Aquiles. Curiosamente não é na Ilíada que está, sequer citada, a história do Cavalo de Tróia, a passagem mais conhecida sobre a guerra.
A Ilíada foi criada oralmente por aedos, que eram poetas cantores, entre 900 AC e 601 AC e compilada para a forma escrita por Homero, poeta grego, entre 546 AC e 527 AC. Por isso hoje a autoria é a ele atribuída.
A Odisséia descreve a viagem realizada por Ulisses ou Odisseu (descrito na Ilíada como “Ulisses, lanceiro famoso. Ulisses, de muitos ardis. Ulisses, semelhante aos Deuses. Ulisses, grande glória dos aqueus“. Aqueus = um dos povos gregos) após o fim da guerra para o seu reino na Ilha de Ítaca, onde lhe esperavam sua esposa Penélope e o filho Telêmaco. Foi uma viagem de 10 anos após uma guerra de 10 anos e nesta viagem a quantidade de aventuras vividas por Ulisses é de impressionar. Não à toa que grandes aventuras hoje são chamadas de Odisséia. Só filmes podemos citar: A Odisséia dos tontos (2019), Ulisses, uma Odisséia sombria (2018), A Odisséia (1997) e 2001 Uma Odisséia no Espaço (1968).
Dentre os muitos perigos podem ser citados: Circe, deusa grega da feitiçaria que ao receber a tripulação de Ulisses na ilha de Eéia transforma todos em porcos; Polifemo, um cíclope (gigante muito forte com apenas um olho) que está decidido a devorar Ulisses e cia; Cila e Caribdis, 2 monstros marinhos que habitam rochedos por entre os quais o navio tem que passar. Hoje o nome Circe batiza muita gata (felina, não mulher) por aí e “Fugir de Cila para Cair em Caribdis” é uma metáfora para um dilema sem solução.
A Odisséia foi criada oralmente por aedos, entre 700 AC e 601 AC e compilada para a forma escrita por Homero, poeta grego, entre 546 AC e 527 AC. Por isso hoje a autoria é a ele atribuída. Ela cita, sem detalhar, o evento do Cavalo de Tróia e da destruição da cidade.
A Eneida é a história da destruição de Troia, e a posterior fuga do herói troiano Enéias (descrito na Ilíada como “Enéias, que era reverenciado pelo povo troiano como se fosse um Deus“). Com ele fogem o pai, Anquises, a mulher Creusa, e o filho Ascânio. É neste poema que é detalhado com riquezas o ardil do Cavalo de Tróia e por ser escrita em latim, traz um dos ditados mais famosos da humanidade: “Timeo Danaos et Dona Ferentes“, no poema foi dito pelo sacerdote Lacoonte ao alertar os troianos a não levarem o cavalo para dentro da cidade. Significa “Temo os gregos mesmo quando trazem presentes” ou “Cuidado com os presentes trazidos pelos gregos“.
O poema descreve as aventuras vividas por Enéias entre a fuga de Troia e a chegada à Península Itálica onde, segundo o autor, dá início à civilização romana. Podem ser destacados os trechos: chegada por mar a Cartago onde encontra a rainha Dido; descida ao Mundo dos Mortos para consultar o espírito do pai que havia morrido, a chegada à Península Itálica quando derrota o herói local Turno e dá início à estirpe que origina o Império Romano.
A Eneida foi escrita pelo poeta romano Virgílio, entre 29 AC e 9 AC, por encomenda do imperador Cesar Augusto, e divide-se em 2 partes, com 6 Livros (Capítulos) cada uma. A primeira é claramente estruturada com base em A Odisséia e narra a viagem de Enéias entre Troia e a Itália. A segunda é claramente estruturada com base em A Ilíada e descreve as batalhas contra os italianos.
Isso aí, um pouquinho de detalhes e menos “Oba Oba” tornariam a matéria muito mais rica. Mas como qualidade de informação é aquela adequada ao público que o emissor quer que a receba …

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