
Por: Julinho. Editor, Revisor, Ombudsman e Colunista Generalista.
O tema da primeira postagem do O Suruku’ku não poderia ser outro que não um agradecimento ao seu antecessor: A Zebra Zarolha, um pioneiro, daqueles de caravana de faroeste, com todas as dificuldades inerentes ao pioneirismo.
Mas foi em frente, nem sempre em linha reta devido ao estrabismo, é verdade, e postou textos históricos que ainda estão lá e podem ser lidos sempre. O endereço é azebrazarolha@blogspot.com.
Mas e o nosso pioneiro, a própria Zebra? Ao interromper o blog em 2011 partiu para um período sabático e saiu da sua quinta em Nairóbi no Quênia de volta ao Delta do Okavango na Botswana. Lá encontrou sua manada, sua família e chorou os parentes e amigos devorados por leões, leopardos, hienas, cães do mato, crocodilos e até por hipopótamos. Parafraseando Dorival Caymmi “Vida de zebra é difícil, é difícil como quê”.
Correu pelas planícies, afinal ela é uma zebra das planícies, e fez a migração anual de 500 km, junto a outras 39.999 zebras, até as Bacias de Makgadikgadi que é a Meca das zebras. Nesta migração conheceu uma fêmea (sim, a Zebra Zarolha é um macho) chamada Bitawa, andou junto a ela 350 km da migração e ao final uniram-se em casamento tendo a Zebra Zarolha desistido do celibato auto imposto ao dedicar-se à escrita.
Como Bitawa não se dá bem em cidades ficaram vivendo com a manada. Mas o coração tem razões … Após 6 anos da mais pura felicidade, pastos férteis e escapadas épicas dos predadores, Bitawa apaixonou-se perdidamente por uma dromedária marroquina que passou numa caravana, deixou um recado para o marido com a primeira zebra que encontrou e seguiu com Zaynab, a dromedária, em direção ao norte. Hoje vivem juntas apresentando-se em feiras livres pois Zaynab é famosa por seu número de “dança das corcovas”, muto apreciado pelos beduínos, por seus camelos e dromedários. Estão ricas.
Mas a Zebra Zarolha ficou mal. Triste, deprimida, sem achar graça em nada, o capim perdeu o sabor, qualquer que seja o sabor de capim, e até tentou o suicídio correndo para o meio de um bando de hienas que estavam de tocaia numa moita mas aí o estrabismo entrou em cena e ela foi se parar do outro lado da moita. E como nada supera o tempo nestas situações num dia, ao vagar pela savana, conheceu um leão estrábico, chamado Clarence, ator aposentado da série de TV Daktari que foi ao ar entre 1966 e 1969. e vagava por ali sozinho e com dificuldades para caçar em função do estrabismo.
Esse encontro resultou numa forte e improvável amizade e então resolveram morar na quinta da Zebra Zarolha pois em Nairóbi há delivery de carne, o que facilita a vida do pobre leão e a companhia do amigo aquece a alma da ex solitária zebra. Citando o genial Caetano Veloso na música Língua: “E quem há de negar que esta lhe é superior?” Acrescente-se que a Zebra Zarolha continua escrevendo como mostra a foto que ilustra esta postagem (foto feita a meu pedido porquê sempre foi muito reservada), porém sem publicar. Apenas lê e discute com Clarence, que está concluindo um mestrado em Literatura Comparada.
Finalizo reiterando o agradecimento por tudo o que fez e dizendo sem qualquer dúvida que será lembrada por muitos eons. Que fique muito bem.

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